quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

De volta para o passado

             Não pense que é analfabetismo do narrador-personagem. Atente para o tempo em que os fatos aconteceram: 1925. A personagem escreve tal soía escrever nos primórdios do século passado. Portanto, não a condene; preste atenção como escrevia os autores consagrados da época como Monteiro Lobato e Machado de Assis. Na verdade, este texto que, em princípio, parece um desserviço, não passa de uma brincadeira deste seu auctor.


A bêsta Rosinha

           
            Corria o anno de 1925.
Naquella tarde emsolarada de um domingo festivo, fui ao matto buscar a minha égua. Apezar de sua pelagem ruça, eu dei a ella o appellido de Rosinha. Era um animal excellente de sella. Puz n’ella uns bonitos arreios que meu pae comprou e me deu de presente no Natal passado.
Era o dia do nosso sancto padroeiro e, em sua homennagem, os cavalleiros da cidade, aquelles que tinham suas melhores montarias, faziam dois gyros pelas duas ruas principaes: a Rua da Monarchia e a Rua Cuyabá. Preparei meu animal, vesti o meu melhor fato, puz o par de esporas de prata estylizadas nos pés, montei-a e entrei a accompanhar o séquito de cavalleiros.
A Rua Monarchia encheu-se do som estrepitoso dos cascos dos animaes batendo as ferraduras no calçamento azevichado de pedras talhadas em forma de paralelepidos. Eram batidas seccas e rythmadas que enchiam o ar e com as quaes não havia como alguém sentir somno.
Assim que eu e minha Rosinha entramos na Rua Monarchia, logo alli depois do primeiro quarteirão, avistei, entre tantas moças que nos viam passar de suas janellas, uma bellisima donzela que logo me pareceu olhar e sorrir para mim. Tinha uns olhos pretos como duas jaboticabas e uma bocca mui linda. Aquella bocca sorrindo mostrava uns dentes brancos como as teclas de um pianno de cauda. A minha égua marchava garbosamente, e eu, orgulhoso della, não tirava os olhos da moça da janella. Aquillo eram sympthomas de amor que estava accontecendo commigo.
No primeiro gyro, ao passar deante da fermosa donzela, ergui meu chapéo fazendo-lhe uma reverencia e derramando um subtil sorriso de conquistador. Ella pareceu corresponder ao meu acenno, porque olhou-me ainda mais directamente nos olhos e me pespegou o olhar até perder-me de vista.
Completado o primeiro gyro, a tropa retornou ao início da Rua Monarchia para aquelle que seria o derradeiro. Meu coração pululava feito um macaquito de um galho para outro. Queria muito rever a minha adorada Dulcinea (si bem que eu não sou magro nem feio feito Don Quijote). Juro pelas cinco chagas de Nosso Senhor Jesus Christo que vi os seus olhos procurando a mim em meio aquelle tropel. Puz minha Rosinha a andar  justo à calçada para passar o mais próximo possível della. Cá com os meus botões, eu decidi que havia de dizer umas palavras áquella rica donna, porque, alem de ella me ter na mira de seus olhos, suas fauces brilhavam um sorriso gracioso que era certamente só para mim.
Dicto isso, logo que cheguei alli deante de sua janella, fiz o que a mim mesmo prometti. Fizl-a um respeitoso cumprimento e comecei a dizer-lha as coisas mais lindas que vinham de dentro de mim. Ella me olhava estupefacta sem dizer uma palavra. Depois, abrindo-se n’um sorriso emcantador, disse-me as palavras que mais me doeram o coração:
– Eu?! Interessada no senhor?! Não, o senhor está mui emganado! Eu não olhava esse tempo todo para o senhor... eu olhava era para bêsta, porque ella foi o animal que eu mais gostei!...
Sahi d’alli muito contrafeito e des esse dia nunca mais passei naquella rua de tão triste lembrança. Nunca esqueci, mas comprehendi que deveria apagal-o de minha vida.
E foi assim que um dia de triumpho, successo,Victória se transfformou na maior decepção.  

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Correlações ortográficas

O trabalho seguinte é uma tentiva de ampliar as correlações existetes que permitem usar as letras Ç, S e o grupo SS nas representações do fonema /s/. Se você conhece, ou se conseguir estabelecer outras, acrescente-as às que constam do texto infra.


DICAS DE ORTOGRAFIA

CORRELAÇÕES EM ORTOGRAFIA

            Ainda que sem nenhuma fundamentação teórica (talvez ecos de Gramática Histórica), existem oito correlações ortográficas conhecidas para a representação do fonema /s/ (leia-se “sê, como cebola, cabeça, bossa) que orientam o emprego das letras Ç, S e SS.
            A partir de nossas observações (esse foi o parâmetro utilizado), concluímos pela existência de outras que, a seguir apresentaremos como um acréscimo às já conhecidas.


            I– Empregamos Ç, na formação de substantivos, a partir das correlações infra:

            1. TER →TENÇÃO

            a) absTER →absTENÇÃO                           d) reTER → reTENÇÃO
            b) conTER →conTENÇÃO                          e) obTER → obTENÇÃO
            c) deTER →deTENÇÃO
           
            2. T → Ç
           
            a) aTo →aÇão                                                           d) isenTo → isenÇão
            b) canTo →canÇão                                        e) absorTo → absorÇão
            c) exceTo →exceÇão                                    f) intenTo → intenÇão
           
            3. DUZ → DUÇ

            a) aDUZir → aDUÇão                                  d) reDUZir → reDUÇão
            b) conDUZir → conDUÇão                          e) introDUZir → introDUÇão
            c) proDUZir →proDUÇão

            4. DIZ →DIÇ

            a) benDIZer →benDIÇão                             d) malDIZer →malDIÇão
            b) contraDIZer → contraDIÇão                   e) preDIZer → preDIÇão
            c) conDIZer → conDIÇão
           
            II– Empregamos S, na formação de substantivos (e adjetivos cognatos), com as correlações seguintes:

            1. ND →NS
           
            a) asceNDer → asceNSão                             e) compreeNDer →compreeNSão
            b) expaNDir → expaNSão                            f) disteNDer → disteNSão
            c) suspeNDer → suspeNSão                         g) ofeNDer → ofeNSa
            d) preteNDer → preteNSão                          h) escaNDir → escaNSão
           

            Exceções: render →rendição; fender →fenda; tender →tendência; fundir→fusão


            2. PEL → PULS

            a) exPELir → exPULSão                              d) rePELir → rePULSão
            b) imPELir → imPULSão                             e) proPELir → proPULSão
            c) comPELir →comPULSão
           
            3. RT → RS

            a) veRTer → veRSão                                    e) controveRTer →controvéRSia
            b) conveRTer → conveRSão                         f) transveRTer → transveRSão
            c) inveRTer → inveRSão                               g) introveRTer → introveRSão
            d) perveRTer → perveRSão
           
            4. DIR → S

            a) aplauDIR → aplauSo                                e) ecloDIR → ecloSão
            b) dissuaDIR → dissuaSão                           f) iluDIR → iluSão
            c) imploDIR → imploSão                             g) desiluDIR → desiluSão
            d) exploDIR → exploSão
           
            5. RG → RS

            a) imeRGir →imeRSão                                 c) emeRGir → emeRSão
            b) submeRGir → submeRSão
           
            Exceções: divergir →divergência; urgir→urgência; dirigir →direção

            III – Empregamos SS, na formação de substantivos (e adjetivos cognatos) com as seguintes correlações:

            1. CED → CESS

            a) CEDer →CESSão                                     d) interCEDer → interCESSão
            b) aCEDer →aCESSão                                 e) retroCEDer → retroCESSo
            c) conCEDer → conCESSão                        f) proCEDer → proCESSo
           
            2. GRED → GRESS

            a) aGREDir →aGRESSão                            c) reGREDir → reGRESSo
            b) proGREDir → proGRESSo                      d) transGREDir →transGRESSão
           
            3. T →SS

            a) promeTer → promeSSa                             c) intromeTer → intromiSSão
            b) compromTer → compromiSSo                  d) remeTer → remeSSa
           
            Exceções: acometer →acometimento;
           

            4. PRIM → PRESS

            a) imPRIMir → imPRESSão                         d) comPRIMir → comPRESSão
            b) oPRIMir → oPRESSão                            e) PRIMir → PRESSão
            c) rePRIMir → rePRESSão                           f) dePRIMir → dePRESSão

            5. TIR → SSÃO

            a) admiTIR → admiSSão                              d) permiTIR → permiSSão
            b) discuTIR → discuSSão                             e) demiTIR → demiSSão
            c) percuTIR → percuSSão
           
            Exceções: deglutir → deglutição;
           
           

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Curiosity in grammar

The following text is based on the original work of a Brazilian linguistic to whom I want to pay my tribute.


                                                          Curiosity in Grammar

                                                            Danger in definitions

                                                              What is the subject?

             You certainly already have listened, seen, read and, of course, have listened your teachers saying the subject is the term of the phrase about it is declared something.
What is the subject of the following sentence, then?

              John promised a golden watch to Mary.

             In according to the definition, you’ll assert surely John is the subject.  However, if I say your answer is not correct, no wonder that you will be surprised, because it was like this exactly we have learned. You’ll be more surprised if I say there are three elements in this sentence that we can state something about them: John, Mary and watch.

              1. About John is affirmed that a watch was offered for him;
              2. About Mary is affirmed that a watch was offered to her;
              3. About the watch is affirmed it was promised, and it is of gold.

              Therefore, in accordance with the definition over mentioned the sentence has three subjects. You have also learned that subject is that one practice action which is expressed by the verb. So, you based on this definition you’d be able to say the subject of the following sentences?

               1. John teaches their son to read.
               2. The boy takes a beating of his father-in-law.
               3. I am seeing an apple.

               There is no doubt you will say the subjects are John, Mary and I, respectively.
In relation the first sentence, you have gone yourself well, because there is no doubt John is the agent of the verbal process; who is practicing the action of the verb. Your answers for the other sentences were not correct.
                The boy who is taking a beat is practicing the action of “to beat up” really? Isn’t he really receiving this action? In this present case, the father-in-law is the subject, because he practices the action of “hit”, “beat”, and so on other synonym terms.
                In the third sentence, the pronoun “I” does not can be appointed as the subject, since there is no notion of activity expressed by the verb “to see”.  The eyes are parts of “I”, and they are suffering passively the action caused by the luminous rays of the light. In other words, according to this definition, it can not be appointed any subject for this sentence.
                So as you’ve seen, this analyze is basically founded on the semantic aspect.
                Be careful about definitions. They are dangerous. They are also hard, because it’s not easy to make definitions. It’s so difficult to make definitions that the famous Greek philosopher Aristotle would have said for his disciples that if he would found someone able for doing definition clearly he would follow him forever.


                The contents of this text is based on A Estrutura Morfo-Sintática do Português, of  our celebrated author José Rebouças Macambira, professor of Linguistic of the Universidade Federal of Ceará.