terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A importância da fama

        Será que alguns bandidos são tão perversos como dizem ou é apenas a fama que os fazem ser assim? Será que o que se disse sobre Lampião não era mais que folclore? Robin Hood terá sido assim tão esperto? Veja, neste texto, até que ponto a fama tem sua influência.


Fama necat virum*


A Cascavel dizia a um Calango, vangloriando-se:
–Senhor Calango, entre todos os animais peçonhentos, incluindo as minhas irmãs de raça, sou eu que tenho o veneno mais poderoso!
– Que nada, senhora! – contestou o Calango, que nem venenoso era. – A senhora mata mais pela fama do que pelo veneno que tem!.
A cobra sorriu-lhe. E num desafio zombeteiro, perguntou:
– Quer experimentar?
– Claro que não! – respondeu. – Mesmo porque isso não vai provar nada, e a senhora vai continuar matando do mesmo jeito. – acrescentou.
– Não e não! – protestou a Cascavel. – Veja o que pensam disso a Coral, a Jararaca, a Urutu e a Surucucu-de-fogo. Todas elas reconhecem o poder letal do meu veneno.
– Ora bolas! E quem vai fiar-se em parecer de parentes?! – disse-lhe o Calango, sarcástico.
– Queira o senhor ou não, eu ainda sou a melhor! – respondeu a Cascavel, já sem argumentos.
– Falar é fácil. Para mim, o que vale é a prova dos noves! Sou como São Tomé: só acredito vendo!...
– Falo com a consciência de quem sou e do que sou capaz. – disse a Cascavel, com arrogância.
E o Calango, olhando-a, em desafio:
– Ah é?! A senhora topa fazer um teste? Assim a gente põe um ponto final nessa discussão.
A Cascavel estremeceu, mas só por dentro. E, para não dar provas de que não confiava em seu taco, respondeu:
– Vamos. Diga lá que teste é esse!
– É o seguinte – começou o Calango – eu e a senhora vamos ficar escondidos, no mato, ao lado de uma vereda. Quem passar por ela – homem ou mulher, tanto faz – a senhora pica, e eu apareço para o picado. Depois, quando vier outro, pico eu, e a senhora aparece. Entendeu? De acordo?
A Cascavel fez que sim, com a cabeça, e os dois rumaram para a vereda mais próxima.
Com o dia findo, estavam os homens voltando de suas roças. Não demorou muito para que aparecesse o primeiro. Era um sujeito já de meia idade. A Cascavel preparou o bote e... zapt! Picou-o no calcanhar. O homem deu pulo de lado e voltando-se, ao mesmo tempo, para o ponto da vereda onde sentira a picada, ele respirou aliviado, ao avistar um pequeno calango, em atitude de ataque e defesa.
– Ah! É apenas um calango! – pensou. E desapareceu no caminho.
O Calango olhou para a Cascavel, interrogativamente. Ela entendeu bem aquele olhar, mas o seu gesto foi o de que ainda não estava convencida.
Minutos depois, veio o segundo lavrador. Trazia a enxada ao ombro e uma cabaça, presa ao cabo, às costas. Pitava um toco de cigarro de palha, no a canto da boca. Aproximou-se placidamente.
– Agora – sussurrou o Calango – é a minha vez!
O homem vinha com as pernas expostas. A calça estava arregaçada até os joelhos. O Calango, mesmo sem dentes, conseguiu, mais pela força que pelo poder de suas serrilhas, produzir um pequeno ferimento de onde começou a brotar sangue. O sujeito deu um pulo de lado, levando a mão à ferida. Olhou sobressaltado para a vereda e, ao avistar a cascavel enroscando-se e enrodilhando-se para desferir outro bote, gritou:
– Meu Deus!
Não se sabe se de raiva, de ou de desespero, ele vibrou na cabeça da cascavel tantas enxadadas, que ela ficou com a cabeça completamente esmigalhada. 
No dia seguinte, à mesma hora, o calango viu passarem com ele numa rede a caminho do cemitério onde o plantaram numa cova bem funda.



*Fama necat virum (A fama mata o homem)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Gramática e redação

           As ideias desenvolvidas nesse texto podem estar certas ou erradas. Todavia, essa é a minha opinião. Se você pensa ou não como eu sobre o assunto, bem que poderia me ajudar com suas ideias para melhorar este texto. Que tal você fazer isso escrevendo para meu e-mail: elizamarrdc@hotmail.com!




Gramática e Redação


            Uma pessoa que conheça a fundo a nomenclatura, as classes gramaticais, as regras de concordância (verbal e nominal), regência (verbal e nominal) e tudo mais atinente ao mundo gramatical, seria um bom redator?
            Pode ser que sim, como pode ser que não.
            E alguém que domine uma gama de conhecimento de toda ordem, mas que seus conhecimentos sejam precários, no domínio da linguagem, fariam dele redator de boas qualidades?
            A resposta, nesse caso, é que seria difícil que isso acontecesse. De nada adiantaria esses conhecimentos se a pessoa não conseguisse ordenar suas ideias, dar uma estrutura com o mínimo de lógica para elas antes de vertê-las para o papel.
Quantas vezes já aconteceu de alguém, que nós sabemos tratar-se uma pessoa esclarecida, atualizada com o que ocorre no mundo inteiro, que se expressa, ao seu modo, com relativa facilidade, e, no entanto, não hora de colocar seus pensamentos no papel, sua redação é um verdadeiro fiasco?
Aquele que tem ojeriza a normas gramaticais corre um sério risco de nunca vir a ser bom redator. Para se escrever bem, além de dominar a normatização da língua, um indivíduo tem que ser um excelente leitor. Ninguém escreve sobre aquilo que não conhece, e a alienação é a principal causa disso.
Muitos são os jovens que não lêem jornais, revistas, livros, etc., alegando que não podem adquiri-los. Entretanto, eles portam celulares de última geração. Claro que eles têm não somente o direito à comunicação, mas também o de inclusão digital. Os que se queixam do baixo poder aquisitivo dos pais, por que não acompanham o que se passa no mundo através da mídia televisiva? Os telejornais, além de diários, são exibidos em pelo menos três edições. Em vez disso, pode-se vê-los discutindo e opinando sobre quem deve ou não sair do reality show da Globo ou da Record.
 Claro que a gente precisa ver esse tipo de programação para se ter uma opinião a respeito deles. Agora fazer desses programas uma coisa permanente em suas vidas, seja por diletantismo ou não, paciência. O que se aprende no primeiro deles que não seja o mesmo nos outros seguintes?
Aquele que pretende ser um bom escritor precisa também saber eleger os melhores conteúdos para si: programas de televisão que acrescentem sempre algo positivo, leituras que, além de prazerosas, também tragam em si alguma coisa de relevo para sua vida pessoal e, futuramente, profissional. Também precisa se aplicar ao conhecimento lingüístico para que possa estruturar suas ideias segundo estabelecem os preceitos gramaticais.
Ainda que algumas pessoas acreditem que se possa escrever bem, de modo intuitivo, essa possibilidade pode até existir, entretanto o melhor que se pode fazer é buscar o conhecimento. Imagine você tomar um avião, cujo piloto conduz a aeronave empiricamente. Eu me sentiria muito mais seguro voando com um comandante dotado de vasto conhecimento sobre aviação e ampla experiência no assunto.
Àqueles que abominam regras gramaticais, convém lembrá-los que tudo para funcionar a contento, no mínimo precisa de algum ordenamento.
 O que seria do Cosmo se não existissem as leis da mecânica celeste? O caos se instalaria e teríamos planetas sem órbitas, chocando-se mundo a fora. O que seria o “viver em sociedade” se não houvesse um conjunto de regras a ser observado pelo conjunto de seus membros? O filósofo Rousseau – Jean-Jacques Rousseau – em sua obra “Do contrato social” diz que o homem, para conviver com seus semelhantes, teve de aceitar “normas” que o impedissem de fazer o que bem quisesse, ou seja, viver na barbárie.
Um simples jogo de futebol entre crianças, uma partida de cartas entre pessoas adultas, uma brincadeira com dominós, nenhum deles pode prescindir de seus participantes o conhecimento das regras que orientarão essas atividades.
Acho que Sherlock Holmes, se tivesse em seu secretário – o Dr. Watson – uma pessoa, sem habilidades para escrever, talvez, depois de examinar algum material mal escrito por ele, dissesse: “Elementar, meu caro Watson. Você tem excelentes ideias, mas a sua ortografia, sua concordância, sua regência, seus conhecimentos de coerência textual deixam bastante a desejar. Watson, volte para os bancos escolares, pois você está precisando conhecer um pouco mais das normas para se produzir um boa escrita!”   

sábado, 10 de dezembro de 2011

Informação errada

         Tudo mundo pode se enganar. O engano muitas vezes acontece motivado por uma precipitação.
         Ao contrário do que se diz, ninguém tem o direito de se enganar. Não existe esse direito. As pessoas podem se enganar ou não. Eu não tinha o direito de me enganar; podia me enganar e me enganei, como no episódio que passo a relatar.


E ele ressuscitou dentre os mortos...


             Cerca de vinte e poucos anos atrás, retornando do trabalho, um velório na casa de umas pessoas que eu conhecia de vista e de nome, mas com quais não mantinha quaisquer relações. Apesar de ser na minha rua, a residência distava uns quinhentos metros da minha.
            Passei lentamente na frente, parei o carro adiante e perguntei a respeito do falecido. A pessoa me disse que tinha sido o filho do Machado*. De imediato, a minha memória registrou a imagem do moço que, a partir daquele momento, eu o via no rol daqueles que deixaram esta vida. Não sei por que pensei logo nele e não no seu irmão.
            Fui fazer minha refeição, descansar um pouco e retornar para o trabalho. No serviço, eu fiquei pensado naquele extinto. Um moço de trinta e poucos anos morrer deixando três crianças por criar. O pensamento sempre na imagem que eu armazenara na minha mente. Eu me lembrei, então, de que certa vez, quando o meu automóvel teve um problema mecânico, eu vinha de ônibus, trazendo uma pasta volumosa na mão. O coletivo estava superlotado e ele, que estava sentado, pediu-me a pasta para melhorar a minha situação de aperto. Para mim, aquele moço, de quem o nome eu não sabia, iria, logo mais, descer à sepultura.
            Durante anos, quando passava em frente à casa que era dos pais dele, eu me lembrava do moço. As crianças – três bonitas meninas – quando passavam em frente à minha casa, eu pensava no pai delas. Com a viúva, também me acontecia o mesmo. Aquele tinha se ido desta para sempre.
            Mas um dia, ao dobrar uma esquina, na parte central da cidade, quase caí do susto que levei. Ainda bem que a pessoa não percebeu o melhor olhar de estupecfação, olhos esbugalhado, olhando para ela. Tudo aconteceu muito rapidamente: o morto havia ressuscitado.
            Conheço a Bíblia, e ela fala da ressurreição dos mortos. Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Mas aquele morto ressuscitou, para mim, cinco ou seis anos depois!
            Na verdade, o morto não estava morto, porque nunca tinha morrido. A minha mente foi que o deu como morto naquele dia fatídico. Eu o havia matado, sem querer. Matei a pessoa errada. Matei-a no lugar de seu irmão.
Assim, o morto, eu o tinha como vivo; e o vivo, eu o tinha como morto.

Teresina, dez. 2011.
              
*O nome é fictício, mas o episódio, não.    

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lembraças, quantas lembranças!...

         Recordar as coisas boas da vida, sempre traz um bem gente. Recordar é viver. Já que não podemos voltar, fisicamente, no tempo, podemos, ao menos, fazê-lo em pensamentos.
         Foi que fiz ao recordar os meus primeiros de sala... como aluno.

 
Recordar é reviver


         Meu irmão servira na Aeronáutica nos 60. Quando minha avó morreu, papai – que era analfabeto – foi à cidade vizinha e ditou o seguinte telegrama para o homem do Correio: “Mamãe faleceu dia 25 PT Abraço PT Luizinho PT”.
Não se sabe por que a pessoa, ao codificar a mensagem (o telégrafo era uma maquininha que transpunha as mensagens para o Código Morse) e escreveu assim: “Sua mãe faleceu dia 25PT Abraço PT Luizinho PT.” (Em linguagem telegráfica não se usam os sinais de pontuação. PT é abreviatura de ponto).
         Ao saber de tão infaustosa notícia, ele cuidou de vir até onde nós morávamos. Como naqueles anos as coisas não eram tão fáceis, o quartel deu a ele trinta dias para ir e voltar. Depois de uma viagem cheia de atropelos, chegou em casa trazendo na bagagem umas revistas sobre aviação. Quando retornou, deixou essas revistas que eu as guardei para mim.
         Tinha eu completado sete anos. Estava na hora de começar na escola. Disseram que, no ano seguinte, eu ia estudar. Fiquei muito animado e, em meio aquele arrebatamento, disse a uma das minhas irmãs, enquanto segurava uma daquelas revistas nas mãos, que já sabia ler. Disse lá quaisquer coisas sem sentido e ela ficou achando graça de minhas pretensões. Ora, eu lendo sem nunca ter ido à escola e logo numa revista editada em espanhol, como fiquei sabendo muito tempo depois.
         No ano seguinte, fui para a escola. Levava um caderno de caligrafia, um lápis com borracha e uma Carta do ABC. Dificuldade foi aprender os nomes das letras. Um tormento para minha cabeça. A professora dividiu a primeira página em três partes. Em cada uma havia sete letras para eu repetir entre as 7 e 11 horas da manhã. Logo me cansei de repetir os nomes delas. Queria mesmo era ir brincar com primo Raimundo, na casa de tio Abdon.
         Onze horas a professora começava a “tomar” a lição das crianças. Quando chegou a minha vez, eu li bem rapidinho os nomes das sete letras para aquele dia. Então começou o meu tormento, quando a professora pegou uma folha de caderno, fez um furo redondo no meio dela e colocou-a sobre as letras que eu acabara de ler com tanta habilidade. Então ela começou a me perguntar, fazendo o papel deslizar para a direita e esquerda e vice-versa, de cima para baixo e vice-se, repetindo a mesma pergunta:
         – Que letra é esta? Que letra é esta?...
         E eu me enrolava todo. Resultado: a lição ficou para o dia seguinte.
         Foram umas sucessões de dias seguintes naqueles três blocos de sete letras que somente passados trinta dias eu conclui o aprendizado da primeira página da Carta do ABC. Hoje eu compreendo as razões para o meu fracasso: ensinavam-se os nomes das letras; não os sons que elas podiam representar. Muita gente da minha geração até hoje acha que existem apenas as cinco vogais: a, e, i, o, u. Quando afirmo que são doze, elas caçoam de mim e respondem: na escola, eu aprendi assim.
         Dominadas as letras, passei a juntá-las e a formar sílabas e depois as  palavras. No caderno, desenhava as letras de fôrma e as letras manuscritas. Quando a letra não bem, a professora desenhava uma e mandava que a cobrisse até que dominasse sua escrita. No ano seguinte, comecei a estudar uma cartilha. Havia palavras e os objetos que as nomeavam. Havia textos que contavam histórias, a maioria delas de conteúdo moralizante.
         Eu me lembro muito bem dessas histórias. Uma delas era sobre Frederico. Frederico, além de preguiçoso, era um menino desobediente e mau. Ele não gostava de ir para escola e vivia enganando sua mãe. Saía dizendo que ia estudar, mas, no caminho, escondia os livros e ia para o mato atrás de passarinhos. Ele costumava subir nas árvores, tirar os filhotes dos ninhos e matá-los.
         Certo dia, o Frederico subiu numa árvore bem alta para tirar o ninho de uma gralha. Quando estava pegando os filhotes, a mãe chegou e o atacou com bicadas. A gralha bicou os olhos de Frederico que ficou cego para o resto da vida.
         Havia ainda poemas que eu gostava de recitá-los em voz. Era um poema de Guilherme Almeida. Por trás do poema, havia uma ilustração: uma fogueira apagada, carvões e a fumaça subindo. O poema era este:

Coração

                                                 Lembrança, quanta lembrança
                                                 Dos tempos que já lá vão!
                                                 Minha vida de criança,
                                                 Minha bolha de sabão!

                                                 Infância, que sorte cega,
                                                 Que ventania cruel,
                                                 Que enxurrada te carrega,
                                                 Meu barquinho de papel?

                                                Como vais, como te apartas,
                                                E que sozinho que estou!
                                                Ó meu castelo de cartas,
                                                Quem foi que te derrubou?

                                               Tudo muda, tudo passa
                                               Neste mundo de ilusão;
                                               Vai para o céu a fumaça,
                                               Fica na terra o carvão.

                                                Mas sempre, sem que te iludas,
                                                Cantando num mesmo tom,
                                                Só tu, coração, não mudas,
                                                Porque és puro e porque és bom!


                                                                                     Guilherme de Almeida
                                                                                            (1890-1969)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

História de caçador

Dizem que, em matéria de mentira, ninguém supera um caçador nem um pescador. Agora, quem supera o caçador? O pescador? Duvido. E o pescador, quem o supera? O caçador, eu também tenho lá as minhas dúvidas. Para acabar com essa história de quem veio primeiro: o ovo ou a galinha, leia essa historinha que eu, que não sou pescador, escrevi especialmente para você.


As cobras


Caía a tarde. O sol incendiava o horizonte. Um homem seguia seu caminho. Estava só. Portanto, para o seu relato não existe uma só testemunha. E, ainda que houvesse, bem que elas poderiam passar por mentirosas.
Aconteceu numa curva do caminho, debaixo de uma árvore frondosa. De longe, ele avistou algo se contorcendo e se elevando da terra. Como um pêndulo, fazia um vaivém que mais se assemelhava a dois arbustos dançando e enroscando-se pela ação do vento.
O homem aproximou-se cautelosamente. Só muito perto, foi que ele deu-se conta de que eram duas serpentes numa dança tétrica. Eram duas cascavéis bem vividas em anos. As duas engalfinhavam-se numa luta titânica de vida ou morte. Um verdadeiro espetáculo de terror no momento de maior romantismo quando o Sol se despede da humanidade.
Nesse embate mortal, uma delas abocanhou a cauda da adversária, começando, de imediato, a engoli-la. A oponente abocanhada não se fez de rogada e abocanhou a cauda de sua rival, engolindo-a também. E cada uma cuidou de fazer a sua parte: engolirem-se mutuamente.
E assim as duas serpentes, famosas pelo seu veneno, foram engolindo-se, engolindo-se, de tal modo que, passada uma hora, não restou um naco delas no chão. Tudo o que restou foram os rastros e uma mancha molhada de saliva no chão.

Teresina, dezembro 2011.