Gramática e Redação
Uma pessoa que conheça a fundo a nomenclatura, as classes gramaticais, as regras de concordância (verbal e nominal), regência (verbal e nominal) e tudo mais atinente ao mundo gramatical, seria um bom redator?
Pode ser que sim, como pode ser que não.
E alguém que domine uma gama de conhecimento de toda ordem, mas que seus conhecimentos sejam precários, no domínio da linguagem, fariam dele redator de boas qualidades?
A resposta, nesse caso, é que seria difícil que isso acontecesse. De nada adiantaria esses conhecimentos se a pessoa não conseguisse ordenar suas ideias, dar uma estrutura com o mínimo de lógica para elas antes de vertê-las para o papel.
Quantas vezes já aconteceu de alguém, que nós sabemos tratar-se uma pessoa esclarecida, atualizada com o que ocorre no mundo inteiro, que se expressa, ao seu modo, com relativa facilidade, e, no entanto, não hora de colocar seus pensamentos no papel, sua redação é um verdadeiro fiasco?
Aquele que tem ojeriza a normas gramaticais corre um sério risco de nunca vir a ser bom redator. Para se escrever bem, além de dominar a normatização da língua, um indivíduo tem que ser um excelente leitor. Ninguém escreve sobre aquilo que não conhece, e a alienação é a principal causa disso.
Muitos são os jovens que não lêem jornais, revistas, livros, etc., alegando que não podem adquiri-los. Entretanto, eles portam celulares de última geração. Claro que eles têm não somente o direito à comunicação, mas também o de inclusão digital. Os que se queixam do baixo poder aquisitivo dos pais, por que não acompanham o que se passa no mundo através da mídia televisiva? Os telejornais, além de diários, são exibidos em pelo menos três edições. Em vez disso, pode-se vê-los discutindo e opinando sobre quem deve ou não sair do reality show da Globo ou da Record.
Claro que a gente precisa ver esse tipo de programação para se ter uma opinião a respeito deles. Agora fazer desses programas uma coisa permanente em suas vidas, seja por diletantismo ou não, paciência. O que se aprende no primeiro deles que não seja o mesmo nos outros seguintes?
Aquele que pretende ser um bom escritor precisa também saber eleger os melhores conteúdos para si: programas de televisão que acrescentem sempre algo positivo, leituras que, além de prazerosas, também tragam em si alguma coisa de relevo para sua vida pessoal e, futuramente, profissional. Também precisa se aplicar ao conhecimento lingüístico para que possa estruturar suas ideias segundo estabelecem os preceitos gramaticais.
Ainda que algumas pessoas acreditem que se possa escrever bem, de modo intuitivo, essa possibilidade pode até existir, entretanto o melhor que se pode fazer é buscar o conhecimento. Imagine você tomar um avião, cujo piloto conduz a aeronave empiricamente. Eu me sentiria muito mais seguro voando com um comandante dotado de vasto conhecimento sobre aviação e ampla experiência no assunto.
Àqueles que abominam regras gramaticais, convém lembrá-los que tudo para funcionar a contento, no mínimo precisa de algum ordenamento.
O que seria do Cosmo se não existissem as leis da mecânica celeste? O caos se instalaria e teríamos planetas sem órbitas, chocando-se mundo a fora. O que seria o “viver em sociedade” se não houvesse um conjunto de regras a ser observado pelo conjunto de seus membros? O filósofo Rousseau – Jean-Jacques Rousseau – em sua obra “Do contrato social” diz que o homem, para conviver com seus semelhantes, teve de aceitar “normas” que o impedissem de fazer o que bem quisesse, ou seja, viver na barbárie.
Um simples jogo de futebol entre crianças, uma partida de cartas entre pessoas adultas, uma brincadeira com dominós, nenhum deles pode prescindir de seus participantes o conhecimento das regras que orientarão essas atividades.
Acho que Sherlock Holmes, se tivesse em seu secretário – o Dr. Watson – uma pessoa, sem habilidades para escrever, talvez, depois de examinar algum material mal escrito por ele, dissesse: “Elementar, meu caro Watson. Você tem excelentes ideias, mas a sua ortografia, sua concordância, sua regência, seus conhecimentos de coerência textual deixam bastante a desejar. Watson, volte para os bancos escolares, pois você está precisando conhecer um pouco mais das normas para se produzir um boa escrita!”
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