quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Brincando com as palavras

 A palavra é adaga de dois gumes; por isso, cuidado com elas!...


                                                Mijar ou fazer xixi?


            Não, leitor, não se trata de artigo de divulgação científica. Bem que o título remeta a essa ideia. Como se costuma dizer, as aparências enganam. E o porquê da pergunta? Quase um decifra-me-ou-devoro-te!...
            Porque, ainda que as duas expressões tenham a mesma significação de “urinar”, parece-me que, usá-las indiscriminadamente, não seja de bom foro, por conta de eu achar que aos homens, strictu sensus, cabe dizer, com toda propriedade, “mijar”. Não se trata de preconceito, todavia, não acho de bom alvitre homens fazerem xixi. Em resumo: homens não fazem xixi.
            “Fazer xixi”, não sei se por conta de certo viés onomatopeico, seja mais adequado às mulheres e/ou às crianças. A expressão, além de seu conteúdo semanticamente infantilizado, constitui um caso explícito de eufemismo, como forma de suavizar o urinar e o mijar, expressões menos polidas. Já o urinar e mijar, apesar de sua carga de rusticidade, podem ser usados por homens, mulheres e crianças, indistintamente. Urinar parece revestir-se de uma conotação científica, enquanto que mijar intui alguma coisa própria ao gênero masculino. Mijar conota certa virilidade ao ato. O que não acontece a urinar e fazer xixi.
            O uso dessas expressões envolve não somente aspecto relacionado ao estilo (polidez), mas também a carga semântica, já comentados. Usá-las, com o devido cuidado, possibilita evitar constrangimentos, por causa do subjetivismo em suas interpretações. Explico: certa vez, ouvi uma pessoa – um homem – lascar um “apesar de eu ser homem”, durante um pequeno discurso, no qual tecia (como nunca vi antes um genro fazer), rasgados elogios a sua sogra.
A coisa passou despercebida por todo mundo, menos eu. O infeliz, mesmo de bem com a sua condição sexual, declarou-se insatisfeito com sua masculinidade, por usar, inadivertidamente, essa locução prepositiva em vez da conjuntiva “embora” ou a expressão equivalente “mesmo sendo”.
Como disse, não se trata de preconceito. Todavia, volto a repetir: homem, que é homem, nunca faz xixi; mija.   
           

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