quinta-feira, 7 de junho de 2012

Situações desagradáveis do quotidiano

Quem é que nunca viveu uma situação desagradável? Não precisa de muita imaginação para se fazer uma lista delas. Basta que você faça um flashback da sua vida para ver por quantas já passou.


Incômodos


            Depois de ficar sabendo pela tv do assassinato de um executivo de uma empresa da indústria de alimentos nacional e, principalmente, do modus operandi da assassina, fiquei pensando sobre como fora fácil para ela dar cabo do marido e, em seguida, após consumar o ato ali no apartamento e ver o corpo, o cadáver estendido no chão, a dificuldade de dar sumiço à principal prova do crime que cometera.
Nada mais incômodo para um assassino do que se livrar do corpo de sua vítima, notadamente aquele que eu chamo de “assassino acidental”, justamente para distinguir do assassino contumaz ou profissional. O cadáver cria como que uma espécie de ligação tão forte entre ele e aquele que o produziu, que parece cola ou outra substância pegajosa que se gruda, exatamente quando a preocupação é não deixar nenhum sinal que estabeleça essa ligação.
            Foi, após esse breve momento de reflexão, que entrei a pensar naqueles que eu considero como os piores incômodos que uma pessoa possa ter.
            Você calça um sapato, tênis ou sapatilha, começa a andar e, de repente, sem saber de onde nem como, sente um corpo estranho machucando seu pé. Você tenta esquecer que aquilo está ali, mas não consegue. Elegante ou não, você para, desamarra os cadarços (quando houver) e lança fora aquele incômodo.
            Agora pense numa mala grande. Encha essa mala do que for necessário para fazer uma longa viagem. Ela certamente ficara pesada. Agora, imagine que essa mala não é dessas modernas, que possuem rodinhas deslizantes e uma alça telescópica. Durante a viagem, acontece, então, o pior: a alça de sua mala se rompe e, agora, você se vê com uma mala grande, pesada e sem alça. Quer incômodo maior?
            Pode não ser o maior dos incômodos, todavia esse tem lá sua grandeza. Você vai à feira e não leva o carro. Lá, entre outras coisas, resolve levar para casa uma melancia. Como são muitos em casa os que gostam da fruta, você opta por levar, senão a maior de todas, pelo menos uma de peso médio. A fruta, além da casca lisa, tem um formato que não se coaduna à sua anatomia, e ela, além de machucar, durante as tentativas de adequação entre o corpo que a carrega, ameaça jogar seu dinheirinho no lixo, ao querer escapar às suas mãos.
            Meu Deus, como é terrível! Você procura algo que está em algumas coisas acima de sua cabeça. Ao mexer ou remexer nelas, um corpo estranho, um cisco, como um grão de areia, por exemplo, cai num de seus olhos. Certamente isso já aconteceu a você. Ninguém melhor que sua pessoa para descrever a sensação desagradável que isso provoca. E quando alguém vem lhe dizer que isso não é nada, o melhor é responder que “pimenta nos olhos dos outros é refresco.”
            Uma noite, eu me lembro, queria assistir a um telejornal e não conseguia me concentrar por causa do canto estridente de um grilo, com qual não conseguia atinar onde estava, porque um grilo, além de se calar, ao sentir a nossa aproximação, você o escuta aqui, mas ele está ali e vice-versa. Quer incômodo maior que um grilo apaixonado, fazendo seresta para sua amada? Acho que até ela mesma diria, irritada: “pare com isso!”
            No rol de tantos incômodos, que não irei aqui enumerá-los todos, citarei dois de ordem fisiológica e dois de ordem patológica.
Você se encontra em determinado lugar ou situação e vem aquele aviso de que precisa ir a um banheiro e o tal banheiro simplesmente não existe. O primeiro o aviso se trata de uma cólica intestinal que ameaça fazer com que você borre as calças imediatamente; o segundo, menos agressivo, nem por isso, menos incômodo, é aquele que você começa a sentir a bexiga pressionando o pé da barriga como se ela fosse explodir.
Os incômodos de ordem patológica são aquela dor de ouvido ou de dente iminente, que ameaça se concretizar. Quando concretizadas, você sabe que, como qualquer dor, essas, também, por mais que você se esforce em pensar que não existam, elas estão lá cutucando, machucando, assim como fazem os torturadores.
             Creio que a lista que apresentei é totalmente subjetiva. Portanto, o que é incômodo para mim, pode não ser para você. Em conhecendo outros, faça você mesmo sua lista, completando a frase: “nada é mais incômodo que:...”

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