segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Privacidade acima de tudo

Como um pequeno gato nos ensinar a zelar pela nossa privacidade.



Ora, tenha vergonha!


            Todo mundo sabe: os gatos não costumam deixar suas intimidades expostas. Por isso, quando têm de fazer suas necessidades, eles não fazem em qualquer lugar. Preferencialmente, onde haja areia ou terra solta. Eles fazem a desgraça dos pedreiros, contaminando areia com seus excrementos e as mãos deles com as larvas que se desenvolvem nas suas fezes e urina.
            Há pouco tempo assisti a uma cena reveladora do quanto os gatos levam a sério a questão da higiene e de sua privacidade. Estava observando o gato da vizinha. Ele saiu de casa, atravessou a rua e foi para a praça, que fica logo em frente. Tão logo o bicho chegou lá, começou a cheirar o ar. Depois, baixando a cabeça, pôs o focinho ao rés do chão e entrou a farejar feito um cão, indo de um lado ao outro, bem devagar.
Tateando e cheirando, o bichano andou, andou até encontrar algo. Ali ele parou, cheirou demoradamente seu achado. Eu não tirava meus olhos dele. Aí vi quando ele apoiou-se numa das patas dianteiras e começou com a outra a puxar terra e folhas secas em sua direção. Em seguida, fez o mesmo com a outra pata.
Passada essa operação, vi quando ele se afastou. Eu me mordia de curiosidade, mesmo sabendo o que ele havia feito. Não me contive. Levantei-me e fui até onde ele estivera. Lá estava uma porção de cocô de outro dia, coberto com um pouco de terra e algumas folhas em estado de decomposição não tão adiantado. Aquela cobertura malfeita foi ele que a fizera ainda há pouco.
Analisei o comportamento do animal e conclui que aquela atitude correspondia a de uma pessoa que, deparando algo errado feito por quem deveria ter feito justamente o contrário, corrigiria o malfeito em silêncio, censurando o autor de tamanha indiscrição, como a dizer:
– Que falta de modos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário