Ai, meu Deus, as etiquetas...
Todos devemos saber como nos comportar à mesa, por uma questão de civilidade. Repetindo o velho e batido clichê: concordo em gênero, número e grau. Entretanto, quando a coisa descamba para o exagero, aí tenham paciência! E como são tantas as pessoas que se excedem em observar a tais regras que muitas delas mais se preocupam com o que é correto ou errado, as quais, ao final de um almoço ou jantar, pouco ou quase nada comem.
Um caso ilustra muito bem a situação. Foi o que me contou um amigo, cujo nome me reservo o direito de não decliná-lo. Ele havia sido, pela sua condição de magistrado, convidado para um jantar em casa de um desembargador, na época, presidindo o Tribunal de Justiça. Entre os convidados, uma senhora, muito refinada, sentou-se à sua frente. O desembargador, como anfitrião, à cabeceira da mesa.
O jantar fora servido. Em meio a tantas comidas da melhor qualidade, uma galinha caipira ao molho pardo. Certamente estava uma delícia. Então, a gentil dama, claramente sem problemas com o peso, colocou, com extrema delicadeza, em seu prato, uma mísera asa da galinha e se pôs comê-la, toda cheia de afetação. Em dado momento, quando o silencio reinava na sala, como manda a etiqueta, ela, após ter a certeza de estar de boca vazia, disse:
– Desembarcador,...
– Pois, não! – respondeu ele, volvendo-lhe o olhar.
– Esta galinha está ma-ra-vi-lho-sa!
O desembargador agradeceu a gentileza, desejando-lhe um “buono appetito”, fosse ele um italiano.
A senhora comeu toda a carne que havia naquela asa (convenhamos que não há muito a comer numa asa!), com muito refinamento. Todavia, toda a sua comida não foi além dessa parte, diria, quase insignificante da galinha. Talvez tivesse ficado satisfeita apenas com as boas maneiras.
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