segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pais e Filhos

             Eu tinha quatorze anos quando escrevi o texto infra. Li-o, recitando para minha mãe. Ela me ouvia atentamente e, quando terminei, vi que ela não ficara nem um pouco confortável com os meus "excessos" de luxúia espelhados ali. Como defesa, argumentei tratar-se apenas de uma poesia.
             Era mesmo só uma defesa: era sensualismo, de verdade! Eu não era mais uma criancinha. Como adolescesse, ali estavam os reflexos do despertar de minha sexualidade. Estes versos dizem o que eu havia sentido quando passou por mim uma belíssima mulher.


Sedutora

Passa com tanto esplendor e graça
Que mais parece um demônio tentador;
Lábios vermelhos, geniais, de raça
E num esbelto corpo sedutor.

Lábios vermelhos, qual pimenta,
Queimam demais, mas são preferidos;
Beijá-los faz sofrer inda assim se aguenta
Porque beijá-los nos faz embevecidos.

Os olhos negros tanto hipnotizam
Ao forte e ao fraco com grande magia;
Como correntes, os elos escravizavam
De amores feitos só de hipocrisia.  

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