O Rio da minha terra e da minha cidade
O Parnaíba e o Poti são dois belos rios que correm pela minha cidade.
Mas o Poti, esses belíssimo rio que corre pela minha cidade,
Não é o rio da minha cidade,
Porque ele é somente um rio que corre pela minha cidade.
O rio da minha cidade é o Parnaíba,
Um gigante encanecido, de longas barbas brancas,
Que o tempo e os homens o estão exaurindo.
O Parnaíba já teve grandes embarcações
Que navegavam em suas águas outrora remansosas.
No cais ocioso de Teresina, ainda se pode vê tudo que lá não está:
Memória dos antigos gaiolas, rio abaixo, rio arriba.
O Poti de águas serenas, no estio, e caudalosas, nos grandes invernos,
Desce do Ceará, rasgando rochas em boqueirões profundos,
Abraça o Parnaíba, em titânica luta,
E depois se abraçam, se fundem e se irmanam
E o Poti, em silêncio, por fim, se torna em rio Parnaíba.
O Parnaíba é o rio de minha cidade
Não somente porque ele corre pela minha cidade,
Mas porque é genuinamente o rio de minha terra.
O rio da minha cidade desce da Serra da Tabatinga
E vem banhando quilômetros a fio
Até encontrar o mar, sempre em terras de minha terra.
Ainda que o rio de minha terra seja rio de outras terras,
O sentimento da gente da minha cidade da minha terra
Não é o sentimento que se tem por um rio qualquer,
Porque o rio da minha cidade está aqui dentro de nós.
Toda a gente nossa sabe de onde ele vem
Para onde ele vai.
Por isso ele pertence mais a nós que aos outros.
O rio de minha cidade é também da minha vida,
Porque ele é verdadeiramente o rio de minha terra.
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