terça-feira, 29 de novembro de 2011

Mais poesia

Dois poemas fresquinhos, saídos, agora mesmo, da fôrma. Se tiverem eles algum sabor para você, deliciese, então!

Infância

Depois que um vendaval sobre a terra se abatia
Na minha porta se formava um pequeno rio
Qual serpente coleante pela valas ele escorria
E eu, na chuva, a brincar tremia de frio

Eu via aquele rio deslizar ligeiro
Ondulante a colear como cascavel
Dentre os meninos era o primeiro
A fazer um barquinho de papel.

Eu punha nesse rio meu barquinho frágil
E nele meus dourados sonhos de criança
De uma vida repleta só de esperanças
A voar, na correnteza, intrépido e ágil.

Então, depois que o meu rio secava
Meu barco e os meus sonhos via encalharem
Um gosto de desilusão em mim ficava
Vendo meus sonhos em terra naufragarem.

Teresina/29 nov. /2011.


Stipendia peccati mors



Não há verdade que não seja contestável

Porque nenhuma é, de todo, absoluta.

O que seria de nós se ainda acreditássemos

Que o universo em torno da Terra girasse

E não houvesse um Galileu

Que o próprio corpo arriscasse

Ao fogo que a intolerância queimava

Quem a ordem do mundo mudar ousasse?



A verdade de hoje nem sempre é mesma

De um amanhã que ainda se aventa

Porque o homem – esse mar em atormenta,

Vive a procurar respostas

A tudo que o descontenta.



Uma verdade, no entanto, insofismável,

Da mente humana inteira se apodera:

Que nenhum homem, com rumo e norte,

Aqui sobre a face do planeta Terra

Jamais escapará à sina da imiga morte.





Teresina/ 29 nov./2011


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