Dois poemas fresquinhos, saídos, agora mesmo, da fôrma. Se tiverem eles algum sabor para você, deliciese, então!
Infância
Depois que um vendaval sobre a terra se abatia
Na minha porta se formava um pequeno rio
Qual serpente coleante pela valas ele escorria
E eu, na chuva, a brincar tremia de frio
Eu via aquele rio deslizar ligeiro
Ondulante a colear como cascavel
Dentre os meninos era o primeiro
A fazer um barquinho de papel.
Eu punha nesse rio meu barquinho frágil
E nele meus dourados sonhos de criança
De uma vida repleta só de esperanças
A voar, na correnteza, intrépido e ágil.
Então, depois que o meu rio secava
Meu barco e os meus sonhos via encalharem
Um gosto de desilusão em mim ficava
Vendo meus sonhos em terra naufragarem.
Teresina/29 nov. /2011.
Stipendia peccati mors
Não há verdade que não seja contestável
Porque nenhuma é, de todo, absoluta.
O que seria de nós se ainda acreditássemos
Que o universo em torno da Terra girasse
E não houvesse um Galileu
Que o próprio corpo arriscasse
Ao fogo que a intolerância queimava
Quem a ordem do mundo mudar ousasse?
A verdade de hoje nem sempre é mesma
De um amanhã que ainda se aventa
Porque o homem – esse mar em atormenta,
Vive a procurar respostas
A tudo que o descontenta.
Uma verdade, no entanto, insofismável,
Da mente humana inteira se apodera:
Que nenhum homem, com rumo e norte,
Aqui sobre a face do planeta Terra
Jamais escapará à sina da imiga morte.
Teresina/ 29 nov./2011
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