A galinha operária
Conta-se que um tal granjeiro
Certo dia ao retirar
Os ovos de seu galinheiro
Viu algo à luz brilhar.
No ninho de uma galinha
Havia um rico tesouro
Pois os ovos que ela punha
Eram só ovos de ouro.
A mulher todo animada disse:
– Estamos ricos, marido!
De hoje em diante vamos
Cuidar muito bem desse bicho!
A galinha, desde então,
Passou a ter regalias,
Pois que do milho em grãos
Passou comer a farinha.
Mais ovos ela botava
Que o tal granjeiro pobre,
De tanto encher a burrinha
Ganhava ares de nobre.
Então a mulher lhe disse:
– Homem, vamos melhorar
Da galinha a comida
Pra mais ovos ela botar!
Passou a galinha a ter
Comida mais requintada
Coisa que nunca se fez
A nenhuma empregada.
Mas em troca a galinha
Pela sua recompensa
Mais ovos que nem farinha
Entravam para a despensa.
Outra vez veio a mulher
Com lucidez argumentar:
“Melhoremos a comida,
Pois, mais comendo a galinha,
Melhor fica a nossa vida.”
Foi então que o homem disse:
– Deixa de besteira, ó mulher!
Galinha é um bicho qualquer.
Solto ela no terreiro pra comer
O que bem quiser!
Contrariando a mulher,
Mudou da galinha
A comida até chegar à pior
Que já comera na vida.
E mais e mais a comida
Diminuindo e piorando
E a galinha, humilde,
Os mesmos ovos botando.
E dizia a mulher ao homem
Pondo ele a refletir:
“Se a galinha não come,
Um dia morre de fome,
Ou pode um dia fugir.”
Tanto que a mulher disse
E o homem não a ouviu.
Um dia porta da granja
Para a galinha se abriu,
E ela, sem mais delonga,
Pela porta escapuliu.
Adeus ovinhos de ouro
Fontes de riquezas mil,
Foi-se embora, para longe,
Com a galinha que sumiu.
Conta-se que outro granjeiro,
Vendo andar a galinha só,
Levou-a ao seu terreiro
Onde a trata a pão-de-ló.
Teste de comentario.
ResponderExcluir