sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Uma fábula fabulosa

       Para quem não sabe, fábula é uma pequena história de conteúdo moralizante. O maior de todos os fabulista foi Esopo que, segundo dizem, era um escravo. Suas histórias fizeram tanto sucesso, que ele, nascido muito antes de Cristo, continua, além de lido, atualíssimo.
       Escritores modernos e contemporâneos escreveram fábulas inspirados nas fábulas de Esópo.Alguns, poder-se-ia dizer, plagiaram-nas.
       No Brasil, nosso grande fabulista foi Monteiro Lobato, autor de "O Sítio do Picapau Amarelo", "As Reinações de Narizinho", entre outros. Monteiro também inspirou-se no famoso fabulista grego.
       Pela primeira vez, eu meto nessa seara, conforme você pode comprovar pelo texto seguinte. Se puder ajudar, depois de ler essa fábula, escreva uma MORAL para ela. Obrigado.



E o sapo não foi à festa...


         A notícia se espalhara tal qual rastilho de pólvora: o Senhor iria dar uma festa para todos os animais.
Grande era a alegria entre a bicharada, porque, depois daquela festa que Deus promovera para as aves – as aves de plumagem branca, diga-se de passagem – quando o Urubu, além de expulso, tivera a cabeça bicada. Também o Sapo passara momentos terríveis, no momento em que o grande pássaro ebúrneo, que o levou, sem saber, escondido em sua viola, precipitou-o contra a terra, sem querer, ao virar a viola e deixá-la com a boca para baixo.
Quando soube da noticia, o sapo muito se alegrou. Finalmente, ele poderia ir a uma festa no céu, sem ser um penetra. A sua boca enorme era um sorriso permanente. Nunca o Sapo sorrira tanto de felicidades. Já tomara todas as providências: uma bela fatiota para ele, novas cordas para sua viola (ele pretendia cantar uma canção, especialmente preparada por ele para homenagear e agradecer ao Senhor), roupas novas para as crianças e um conjunto completo para sua senhora.
Mas o sapo, apesar de todos os preparos, desconfiava de algo errado nessa notícia. Como ele e os demais animais que não sabiam voar poderiam chegar ao céu?
Dona Coruja, sempre sapiente, sentenciou:
– Deus proverá! Deus proverá!
O Sapo, muito religioso, entendeu o recado da Coruja. Não era isso que dizia Abraão ao pequeno Isaque? Pois, no momento certo, um cordeiro não se apresentou para ser imolado em seu lugar?! E repetiu:
– Deus proverá!
Chegou, afinal, o dia do embarque. Uma gigantesca carruagem puxada por oito cavalos de fogo desceu do céu para conduzir os convidados ao seu destino. Para evitar entrada no céu de algum ser vivo não convidado, insetos, por exemplo, foram colocados dois portões, nos quais uma dupla de anjos fazia o check-in dos passageiros. Talvez fosse isso mesmo que ele pensava quando entrou na fila com a família. O Sapo estava tão entusiasmado, que nem percebeu que alguns animais estavam sendo impedidos de embarcar. Primeiro, foi a baleia, depois o pelicano, o hipopótamo...
Chegou a vez dele, de sua senhora Sapa e dos barrigudinhos. A viola estava numa das mãos, nua, porque ele pretendia tocar para animar o pessoal e a viagem. O Sapo sorria alto, abrindo ainda mais sua bocarra. Quando ele ia atravessar o portão, um dos anjos , com sua espada de ouro e prata, reluzindo, colocou-se diante dele e disse-lhe:
– O senhor, não!
O Sapo ficou atônito, quase petrificado com a surpresa.
– E por que não? – quis saber. – Mas a festa não é para todos os animais?
O anjo, paciente, como devem ser todos os seres celestiais, disse:
– Sim, a festa é para todos os animais. Todos os animais de boca pequena, senhor!
O Sapo, que antes rasgava sua boca em enormes sorrisos de felicidade, pretendendo remediar a situação, respondeu ao anjo, juntando bem os lábios, para que a boca se amiudasse:
– Justo!  Justo! Justo!... É de justiça!...
O anjo, compreendendo a malandragem do Sapo, indicou que deixasse a passagem livre. Infelizmente, esse artifício do Sapo não colou.

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