Salário e qualidade de ensino
Sempre que se fala em aumentar salário para professor, notadamente quando a classe entra em greve para reivindicar essa melhoria, aparece a figura de um especialista em educação para dizer o óbvio: aumento de salário não resolve o problema da qualidade da educação.
Claro que outros fatores em combinação com aumento salarial é podem resolver a questão da qualidade do ensino. Citam-se casos de Estados ou cidades onde professores, com salários defasados, apresentarem bons índices de aprovação. Resta saber quanta pressão diretores de escolas receberam de seus superiores para pressionar professores a promoverem alunos para séries subsequentes a fim de que as estatísticas das Secretarias de Educação de estados e municípios apareçam na mídia e façam a propaganda de resultados excelentes que não passam de pura mistificação.
Se não vejamos o que é fato e o que é engodo. Dependendo de cada rede, um para ser aprovado numa disciplina precisa fazer oito avaliações normais, mais quatro avaliações de recuperação paralela, cujos resultados devem substituir a menor nota obtida entre as duas que compõem a média de cada bimestre e, final do ano letivo, caso ele tenha feito doze avaliações e mesmo assim a sua promoção esteja em xeque, ele fará a décima terceira, também conhecida como “prova final”, se em todas as disciplinas ele tiver obtido o mínimo de quatorze pontos no somatório das médias dos quatro bimestres. Saliente-se que prova final terá o valor de dez pontos que serão simplesmente somados ao resultado que tenha obtido durante todo o ano. Caso ele ainda não obtenha a aprovação que ele quer e a família deseja que ela efetivada a qualquer custo, ainda há pressão para que professores sejam “generosos”, acrescentando mais um, dois... sei lá quantos pontinhos para que as estatísticas fiquem favoráveis a quem elas interessam. Pode haver qualidade na educação com tanta permissividade?
A certeza que o aluno tem de que ele será aprovado, independentemente de se esforçar para isso ou não, que o leva a não cumprir com as tarefas e os deveres escolares que os professores preparam para reforçar-lhes a aprendizagem. Para que resolver exercícios, perder tempo com isso, se não preciso me esforçar para passar de ano? Numa de quarenta alunos, o índice dos alunos que não realizam suas tarefas pode ultrapassar os 80%. O professor vai de carteira e carteira e muitos deles, instados a apresentarem os trabalhos que deveriam ter feito, dizem, em tom de deboche: “não fiz.”
Qualidade do ensino não depende, é claro, só de melhoria salarial. Ela depende também do grau de comprometimento da escola, do professor, do aluno e, fundamentalmente, da família. Muito dos pais enviam seus para escola e entregam toda a responsabilidade pela educação de seus filhos à escola. Lá, na maioria das vezes, só comparece quando da efetivação da matrícula. Quando o menino ou menino faz alguma coisa de errado, ou vai mal nos resultados, quando convocados pela direção para uma conversa sobre o filho, mandam recados desaforados de que tem mais o que fazer.
Também é verdade que, assim como acontece nas demais profissões, há professores e professores. Existem aqueles que se doam, independentemente daquilo que lhes pagam no fim de cada mês como também há aqueles que, ganhando o maior salário do mundo, não estão nem aí com o aprendizado de sua clientela.
Se a melhoria salarial não resolve o problema da qualidade do ensino, também a sua falta, de algum modo, há de influenciar, só que de modo negativo. Como pode o profissional dar o melhor de si se, ao final de mês, o salário mal pode pagar pelas suas necessidades básicas: água, energia e alimentação. E o que fazer para se manter atualizado com as novidades de sua disciplina? Fazer assinatura de uma revista especializada, de jornais, revistas? Comprar livros para uma biblioteca particular a que possa recorrer durante a elaboração de provas e trabalhos escolares? Isso está fora de cogitação, menos que ele se decida por apertar ainda mais o cinto.
Um piso salarial de R$ 1.451,00 que, diga-se de passagem, a maioria dos estados e municípios não pagam e se negam a cumprir aquilo que determina a lei, obriga o professor trabalhar três turnos diariamente para ter uma condição financeira melhor. Essa montanha de dinheiro é para o profissional com graduação superior. O Senado da República, em concurso recente, vai pagar a um técnico de nível médio a bagatela de R$ 13.500,00 como salário. Claro que eles vão ganhar bem se se comparar essa quantia com o piso nacional de professores de todo o país. Isso porque os professores, conforme informe publicitário institucional, veiculado em todas as mídias nacionais, sobre a importância do papel do professor na preparação de todos os profissionais deste país e do mundo: “em tudo há a mão do professor”.
Imagine se não houvesse...
concordo inteiramente com o senhor professor é uma vergonha o Governo Municipal ou Estadual relutar em pagar um piso que de tão baixo é realmente PISO.Sem Piso não piso em sala de aula.
ResponderExcluirCarmem